ESTILOS DE VIDA E COMPORTAMENTOS DE PROMOÇÃO DE SAÚDE DOS ADOLESCENTES

27 Março 2010

ESTILOS DE VIDA E COMPORTAMENTOS DE PROMOÇÃO DE SAÚDE DOS ADOLESCENTES E O CONSUMO DE ALCOOL

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António J. T. Major

Mestre em Comunicação em Saúde

Licenciado em Enfermagem Comunitária

Prof. Adjunto da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa

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Este estudo foi realizado com os alunos do 7º ao 12º ano de escolaridade de um colégio particular da região de Lisboa.
É assim considerado por nós um estudo inovador, uma vez que nos proporciona avaliar esta problemática num contexto diferente dos estudos a que tivemos acesso ou seja no ensino oficial.

Trata-se de um estudo transversal, descritivo e analítico que visa identificar alguns dos factores que levam ao consumo de álcool na adolescência.

Os dados empíricos foram obtidos através da aplicação de um questionário a 538 alunos.

A recolha dos dados foi efectuada em Abril de 2002, em sala de aula, sendo os questionários entregues directamente por nós, com a colaboração dos Coordenadores dos respectivos Ciclos, tendo respondido todos os alunos a quem os questionários foram entregues.

Para análise estatística os dados foram tratados informaticamente, com recurso aos programas Statiste Packager for Social Sciences, (SPSS 11), ao Word 2000 e ao Excel 2000.

O consumo de álcool tem vindo a aumentar no seio dos adolescentes, o que se torna preocupante, pelo seu impacto na saúde e qualidade de vida dos adolescentes famílias e comunidade em geral.

É de extrema importância conhecer as razões desta tendência para poder traçar estratégias que levem à consciencialização e mudança voluntária de comportamentos, adoptando assim comportamentos e estilos de vida mais saudáveis. Daí a pertinência da realização deste estudo.

A problemática do consumo de álcool na adolescência tem sido descuidada, uma vez que este é considerado uma droga legal e portanto socialmente aceite, mas por seu lado o consumo de álcool, está a atingir níveis de adesão, cada vez mais altos na adolescência, o que se torna preocupante. No decorrer da nossa investigação, tivemos dificuldade em consultar outros estudos, sobre esta problemática para assim podermos comparar com os nossos resultados; dos que consultámos, encontramos algumas dificuldades, porque as variáveis em estudo eram diferentes das nossas.

Verificamos que a prática de comportamentos não saudáveis ou seja a não adopção de estilos de vida promotores de saúde, está na base de doenças graves e consequentemente na diminuição da longevidade. Daqui se destaca a importância da adopção de estilos de vida saudáveis para aumentar as potencialidades de ter boa saúde.

Distribuição dos alunos por idade e sexo: As idades dos alunos do nosso estudo, variam entre os 12 e os 21 anos, sendo a média de idades de 14,2 anos; sendo a população, maioritariamente do sexo feminino, ou seja, 51,3% dos alunos. Comparativamente, nos estudos de Rodrigues (1994), a média das idades é 14 anos (23,8%), e tal como no nosso estudo, predomina o sexo feminino em 52,1%.

Distribuição dos alunos segundo o tipo de família a que pertencem: No nosso estudo, 431 alunos ou seja 80,1% vive com os pais (família nuclear), coabitando simultaneamente, com ambos os progenitores, sentindo-se bem integrados na família, o que poderá contribuir em nosso entender para o seu bom desenvolvimento afectivo, emocional e racional, favorecendo assim, na generalidade dos casos, a adopção de estilos de vida saudáveis, e paralelamente um bom sucesso escolar.

A resultados idênticos chegou Rodrigues (1994), em que 76% dos alunos viviam em famílias nucleares.

Distribuição dos alunos segundo o sexo, e o seu relacionamento com os colegas da mesma idade: No que diz respeito ao relacionamento com os colegas da mesma idade, 49,4% dos alunos, referem que se relacionam muito bem, e 45,4% referem que se relacionam bem. Os nossos resultados estão de acordo com os de Rodrigues (1994), no qual, 50,7% dos adolescentes, referem ter muito boa relação com os seus colegas, e 40,4% referem ter uma relação boa.

Distribuição dos alunos segundo o seu sucesso escolar: Estes alunos, apresentam um bom sucesso escolar (83,2%), apenas 16% referem uma “não muito boa capacidade para se saírem bem na escola.” Este sucesso escolar é ligeiramente superior no sexo feminino.

Distribuição dos alunos por sexo e a ingestão de bebidas alcoólicas: Os rapazes ingerem mais bebidas alcoólicas que as raparigas, 164 rapazes (30,5%), referem já terem ingerido (cerveja, vinho, whisky, entre outras), contrariamente 142 raparigas (26,4%), referem nunca o terem feito, no entanto a maior parte da população, ou sejam 298 indivíduos (55,4%), referem já o terem feito algumas vezes. Este predomínio de consumo no sexo masculino, também é apontado nos estudos de Rodrigues (1994), embora os resultados a que chegámos sejam inferiores (55,4%), aos do seu estudo, no qual é referido que 66,8% dos adolescentes já experênciou o consumo de bebidas alcoólicas. No Inquérito Nacional em Meio Escolar realizado pelo Instituto Português da Droga e Toxicodependência (IPDT) efectuado nas escolas do 3º ciclo na grande Lisboa (1998) é referenciado que 86,3% dos adolescentes consomem bebidas alcoólicas, dados que são muito superiores aos da nossa população. Ainda, segundo um estudo sobre a saúde dos adolescentes, a nível Europeu, efectuado no nosso país por Matos et al (2000), 76,8% dos rapazes já experiênciaram o consumo de álcool e de igual modo assim responderam 73,5% das raparigas. Também, no estudo realizado pelo ESPAD (Projecto Europeu para o Estudo do Álcool e outras Substâncias em Meio Escolar), em Portugal no ano de 1995, 79,1% dos adolescentes, referem consumir bebidas alcoólicas.

Distribuição dos alunos pela idade e a ingestão de bebidas alcoólicas: No nosso estudo, 236 adolescentes (44%) entre os 12 e os 16 anos, referem, já terem ingerido bebidas alcoólicas, não se sabendo se o fazem regularmente, enquanto 11,6 dos jovens com mais de 17 anos, referem também, já o ter efectuado. Estes dados são inferiores aos do estudo de Breda et al (1998) onde se conclui que mais de 60% dos jovens com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos e mais de 70% acima dos 17 anos, consomem regularmente bebidas alcoólicas.

Distribuição dos alunos pelo sexo e a idade que tinham quando beberam bebidas alcoólicas pela 1ª vez: A idade modal do início do consumo de bebidas alcoólicas é os 13 anos para os rapazes e os 14 anos, para as raparigas. Nos estudos efectuados por Rodrigues (1994) este consumo inicia-se predominantemente por volta dos 11 anos. Também no estudo realizado pelo ESPAD (Projecto Europeu para o Estudo do Álcool e outras Substâncias em Meio Escolar), em Portugal no ano de 1995, a idade modal de início de consumo de bebidas alcoólicas é 11 anos.

Distribuição dos alunos segundo a razão porque ingerem bebidas alcoólicas: Em relação ao motivo de ingestão de bebidas alcoólicas, 110 rapazes (37,0%), referem faze-lo por prazer, da mesma opinião são 96 raparigas (32,3%). Por sua vez, 26 indivíduos (8,8%), respondem que o fazem por influência dos adultos, o mesmo número refere faze-lo por influência do grupo de pares, o que está de acordo com a pesquisa bibliográfica por nós efectuada.

Distribuição dos alunos por sexo e o tipo de bebida que bebem mais: Os sumos com teor alcoólico (shorts) são a bebida preferida por 54 rapazes (18,2%), e por 61 raparigas (20,5%). A preferência por bebidas brancas é referenciada por 80 indivíduos (26,9%), sendo estas mais nocivas ao organismo, por possuírem uma concentração alcoólica superior às restantes bebidas. Entre as raparigas esta é a segunda bebida mais consumida, por seu lado, os rapazes consomem em segundo lugar, os sumos com teor alcoólico. Dos inquiridos, 22,9% referem beber cerveja, enquanto que no estudo efectuado no nosso país por Matos et al (2000), esta bebida é a mais popular.

Distribuição dos alunos por sexo e o local da bebida: É na discoteca o local onde os adolescentes bebem mais, registando-se 104 casos (35%), nos rapazes e 101, nas raparigas (34%). Por sua vez o local que regista menor frequência é na rua e na escola com 6 casos (2%), respectivamente. No estudo realizado pelo ESPAD (Projecto Europeu para o Estudo do Álcool e outras Substâncias em Meio Escolar), em Portugal no ano de 1995, 25,4% dos adolescentes referem a própria casa como o local onde bebem mais, e 22,6% referem, faze-lo, numa festa/discoteca.

Distribuição dos alunos por sexo e a circunstância em que bebem mais: A ingestão de bebidas alcoólicas, aumenta em ambos os sexos quando estes estão com amigos registando-se 180 situações ou seja, 60,1%, o que está de acordo com a pesquisa bibliográfica por nós efectuada, demonstrando-se assim a influência do grupo na adopção de estilos de vida.

Distribuição dos alunos por sexo e a frequência de ingestão de 5 ou mais copos de bebidas alcoólicas, numa noite: Em relação à quantidade de álcool ingerido, 74 rapazes (24,9 %) referem nunca terem ingerido 5 ou mais copos (cerveja, vinho, whisky, entre outras) de seguida ou numa noite; de igual modo assim referem 71 raparigas (23,9%). De igual modo, 2,3% dos rapazes e 2% das raparigas, referem consumir bebidas alcoólicas todas as semanas. Os nossos resultados são muito inferiores aos do estudo sobre a saúde dos adolescentes, a nível Europeu, efectuado no nosso país por Matos et al (2000), em que, 15,3% dos rapazes referem beber cerveja todos as semanas e 7,3% das raparigas, referem o mesmo.

Distribuição dos alunos por sexo e a existência de problemas na escola: No que diz respeito a terem problemas na escola por causa do álcool, 163 rapazes (54,9%), referem nunca os terem tido, de igual modo referem 126 raparigas (42,4%), o que perfaz 97,3% da população.

Distribuição dos alunos por sexo e provocação de problemas com a família: Em relação a problemas em casa por causa do álcool, 289 indivíduos, 97,3 % da população refere nunca os ter tido, de igual modo, 89,2% referem nunca terem tido problemas com os amigos; referem também, 91,2% dos indivíduos, nunca os terem tido com os (as) namorados (as), e 98,7% referem nunca terem tido problemas com a polícia por causa da bebida.

Distribuição dos alunos por sexo e a ocorrência de uma embriaguês nos últimos 6 meses: Da população do nosso estudo, 107 rapazes (36,1%), referem, nunca terem ficado embriagados nos últimos 6 meses, de igual modo assim respondem 89 raparigas (30,1%), o que perfaz 66,2% da população. No estudo sobre a saúde dos adolescentes (dos 11 aos 16 anos), a nível Europeu, efectuado no nosso país por Matos et al (2000), 20,2% dos rapazes referem já se terem embriagado 1 a 3 vezes, de igual modo assim respondem 15,9% das raparigas. Também, no estudo realizado pelo ESPAD (Projecto Europeu para o Estudo do Álcool e outras substâncias em Meio Escolar), em Portugal no ano de 1995, referiram, já se terem embriagado, 6,5% dos adolescentes. Ainda no estudo de Breda et al (1998), referem ter-se embriagado mais de 20 vezes no ultimo ano, 18% dos rapazes e 10% de raparigas com idade média de 16 anos.

Distribuição dos alunos por sexo e a opinião dos pais sobre o consumo de álcool: Em relação ao que os seus pais pensam sobre o consumo de bebidas alcoólicas, 91 dos rapazes e 65 das raparigas, o que perfaz 52,5% da população, referem que estes não aprovam, nem desaprovam, de igual modo, 73,4% dos seus amigos, também não aprovam nem desaprovam.

Distribuição dos alunos por sexo e as probabilidades de acabarem o 12º ano: As hipóteses de acabarem o 12º ano, são consideradas muito altas por 111 rapazes (20,6%) e por 134 raparigas (24,9%), são também consideradas altas por 99 rapazes, (18,4%) e 91 raparigas, (16,9%) o que demonstra uma boa autoconfiança; apenas 4 indivíduos (0,7%), consideram essa hipótese muito baixa. Os nossos resultados estão em desacordo com os de Rodrigues (1994), no qual, as expectativas de concluir o 12º ano não ultrapassavam os 13,6%.

Distribuição dos alunos por sexo e as probabilidades de fazerem o curso que gostam: As probabilidades de fazerem o curso que gostam, são consideradas altas e muito altas por 214 rapazes, (39,8%) de igual modo assim são consideradas por 209 raparigas (38,8%). Consideram também, altas e muito altas, a probabilidade de terem um emprego bem pago, 177 rapazes e 165 raparigas, ou seja 63,6% da população. De igual modo consideram as probabilidades de terem a sua própria casa 83,3% dos indivíduos.

Distribuição dos alunos por sexo e as probabilidades de terem uma vida familiar feliz: Quanto à hipótese de terem uma vida familiar feliz, 440 indivíduos, 81,7% da população considera-a alta e muito alta.

Distribuição dos alunos por sexo e as probabilidades de manterem-se saudáveis: No que diz respeito à sua própria saúde, 434 indivíduos (80,7%), consideram alta e muito alta a hipótese de se manterem saudáveis.

Em jeito de conclusão
Os alunos do nosso estudo, na sua maioria, no que diz respeito ao consumo de álcool, adoptam estilos de vida promotores de saúde, e apresentam um bom sucesso escolar, e uma auto-confiança e expectativas de futuro elevadas, o que está em desacordo com a generalidade dos estudos efectuados, nesta faixa etária e referidos ao longo do trabalho e que são motivo das nossas preocupações.

Tendo em consideração que a grande maioria dos comportamentos relacionados com a saúde são adquiridos na adolescência, toma especial importância a implementação de programas educativos promotores de saúde e prevenção da doença podendo assim adoptarem-se e desenvolverem-se, estilos de vida saudáveis nesta fase do ciclo vital.

Somos da opinião que é urgente agir, pois o “mal menor,” considerado por uns e esquecido por outros, pela sua magnitude toma repercussões preocupantes junto daqueles que são o garante do futuro da Humanidade, e a “herança” que lhes deixarmos será determinante.

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