A DIETA MEDITERRÂNICA
A DIETA MEDITERRÂNICA
**********************************************************************************************************
António José de Almeida Miranda
Mestrado em Bioética; Especialização em Enfermagem Comunitária; Licenciatura me Enfermagem
CHPC – Unidade Sobral Cid
**********************************************************************************************************
Palavras-Chave: Dieta Mediterrânica, Fast-food, Variedade e Saúde.
INTRODUÇÃO
Quando analisamos a alimentação portuguesa temos tendência para a depreciar, comparando-a com as dos outros países ou com o modelo ideal de dieta. Como bons portugueses, dizemos mal do que é nosso, sem nos preocuparmos em analisar aquilo que de bom temos. Assim, é meu objectivo chamar a atenção para os benefícios da adopção deste tipo de dieta face ao crescente flagelo da fast-food nos hábitos da população portuguesa. O presente artigo tem uma mensagem deveras importante e plena de actualidade: quando andamos à procura de um modelo de alimentação adequado que faça face ao crescente consumo da fast-food (rica em gorduras hidrogenadas, glícidos e substâncias tóxicas) – fruto do marketing, da competitividade, dos ritmos e estilos de vida, traz repercussões sobre a nossa saúde (e sobre as gerações vindouras) – basta olharmos para aquilo que comíamos há meio século atrás e podemos descortinar uma dieta que dá resposta aos nossos problemas actuais. Como (futuros) enfermeiros especialistas, temos um papel fundamental na promoção da saúde, prevenção da doença, auxiliando o indivíduo a construir o seu projecto de vida (e saúde), sensibilizando-o para a adopção de estilos de vida saudáveis, investindo num capital de saúde.
DIETA MEDITERRÂNICA
Desta forma, pegando no artigo intitulado Dieta Mediterrânica, de Nuno Nunes (Licenciado em Ciências da Nutrição pela Universidade do Porto, Mestre em Controlo de Qualidade e Toxicologia dos Alimentos pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, Vice-Presidente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas Portugueses e Especialista em Nutrição, sendo Assistente de Nutrição no Hospital Pulido Valente em Lisboa, que com o eminente médico nutricionista Dr. João Breda (e outros) dá o seu contributo à Saúde na Internet – Rede MNI, visível em http://www.mni.pt), podemos ter presente algumas ideias chave que nos ajudam a compreender este tipo de dieta, clarificando os seus mitos e realidades, bem como as vantagens que decorrem da sua utilização. O artigo em análise, no domínio da saúde (nutrição e dietética, direccionado para a área da saúde pública, vertente da promoção da saúde), é vocacionado para a informação e sensibilização, procurando clarificar o conceito deste tipo de dieta, a sua origem e filosofia inerente, bem como das vantagens de adopção da mesma.
Quando falamos de dieta mediterrânica reportamo-nos a um tipo de dieta que ainda há cerca de meio século fazia parte da realidade portuguesa e da bacia mediterrânica (Martins et al., 2002: 39-43). Mais do que uma dieta, era uma filosofia de vida multivariada baseada numa cultura e estilo de vida típico, em receitas e modos de cozinha muito típicos, resultando numa Alimentação composta de ingredientes tradicionais, actualizados em função da evolução tecnológica ao longo dos tempos (Nunes, 2007). Como o autor refere, é uma combinação harmoniosa de vários elementos, com uma culinária simples, e, uma fronteira bem definida entre o que é festa e o que é habitualmente consumido no dia a dia, com a comida bem distribuída ao longo do dia (pequenas quantidades de comida, com grande variedade), sazonalmente adequada em função das Estações do ano e das disponibilidades alimentares. Bem adaptada à actividade física desenvolvida. Este tipo de dieta, apresenta diversas vantagens para o autor, nomeadamente:
-ALIMENTARES» De acordo com as Leis da Quantidade, Qualidade, Harmonia e Adequação (Diversificada; Fácil de Confeccionar; Gostosa; Ajustada às necessidades e vida actual….).
-NUTRICIONAIS» Equilibrada; Adequada; Protectora (Prevenção Primária e Secundária de Várias doenças).
-ECONÓMICA» É muito Barata, no entanto e paradoxalmente a União Europeia paga para não se produzir!!
-AMBIENTAIS» É mais ecológica e amiga do ambiente.
Refere ainda, em jeito de conclusão que a Dieta Mediterrânica dá Mais Saúde, Mais Qualidade de Vida com menores custos, lucrando com isso o indivíduo e a sociedade.
Diversos estudos consubstanciam esta análise, e, parece existir no nosso território ainda algumas zonas que praticam esta dieta, como é o caso de algumas do sul de Portugal (Braz et al., 2006: 23-25).
Então o que é que mudou neste ultimo meio século? Os estudos feitos parecem evidenciar uma alteração do padrão alimentar dos portugueses (Martins et al., 2002: 41-42), com consumos cada vez maiores de energia e calorias, açucares e gorduras e também de sal, a par com reduções no consumo de cereais completos e hortaliças (frutos incluídos). Por outro lado, os níveis de actividade física são muito reduzidos em determinados grupos, sendo Portugal um dos países com mais elevada prevalência de inactividade física da União Europeia. Esta tendência provoca aumento de doença e mortes prematuras traduzindo custos humanos elevados assim como enorme fardo económico. (Rito e Breda, 2006: 15-17). Desta forma, o Plano Nacional de Saúde Português (2004-2010) preconiza vários programas de intervenção para fazer face a este problema (como é o caso do Programa Nacional de Intervenção Integrada Sobre Determinantes da Saúde Relacionados com os Estilos de Vida e o Programa Nacional de Combate à Obesidade), enquadrando uma perspectiva de abordagem dos problemas ligados à nutrição e actividade física aos diversos níveis de prevenção, mas não inclui especificamente a dieta mediterrânica (Ministério da Saúde, 2004).
Face ao exposto, penso que será urgente recuperar a dieta mediterrânica, investindo através de políticas de incentivo ao cultivo (face à desertificação das zonas rurais e abandono da agricultura tradicional) e de reabilitando esta dieta no quadro da União Europeia, integrando-a em futuros Planos Nacional de Saúde, como um bem promotor e protector da saúde, como uma necessidade de sustentabilidade para as gerações futuras. Cabe a nós profissionais investir numa politica de sensibilização e formação contínua aos diversos níveis, ajudando a mudar comportamentos e estilos de vida, apostando num melhor bem-estar e qualidade de vida.
A competição desenfreada pelo sucesso e por uma vida melhor exige uma resposta rápida por parte das pessoas, muitas vezes pouco consentânea com o comer uma refeição pausada, equilibrada e adequada às suas necessidades. O recurso à fast-food embora cara e prejudicial, é menos exigente, impõe-se como um processo de socialização ao modelo de sucesso dos tempos modernos, mas que acaba por sujeitar o indivíduo a uma refeição que tem pouco valor nutricional, que põe em risco a sua saúde e concorre para a deterioração da sua qualidade de vida futura, sendo causa directa de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, mas também de outras de natureza degenerativa e crónica fruto do progressivo envenenamento e destruição do organismo. Noutro campo, a dieta mediterrânica, assume-se pela sua vertente de promoção da saúde e prevenção da doença, com vantagens alimentares, nutricionais, económicas e ambientais muito importantes.
CONCLUSÃO
A adopção de uma dieta equilibrada, adequada e de baixo mais de que investir no indivíduo, é investir num capital social, acabando por se tornar igualmente num imperativo ético, pois, mais do que o bem estar a que está subjacente, diminui os custos das doenças e promove a sustentabilidade das gerações vindouras. Quando analisamos o acto de comer, torna-se fundamental a sua associação com o prazer que lhe está inerente. A comensalidade, a variedade, a festa e a cor provocam bem-estar, logo qualidade de vida, logo a dieta mediterrânica é um estilo de vida que engloba tudo aquilo que é sábio, bom e saudável, fruto de uma tradição secular e de uma adequação alimentar (Cervera, 2002: 6-10). Assim, este artigo retoma esta antiga dieta como uma mais valia para a comunidade científica que, preocupada com o consumo crescente da fast-food, procura a melhor forma de fazer face aos problemas resultantes da sua implantação, reformulando teorias e apresentando novos modelos de alimentação (visíveis na nova roda dos alimentos), quando a solução pode estar disponível bem perto de nós. Basta olhar para aquilo que de bom existe na nossa alimentação.
BIBLIOGRAFIA
BRAZ, Nídia; MATEUS, Maria Palma; CAIXINHA, Mónica – Gastronomia algarvia/Dioeta Mediterrânica? In: Nutricias. ISSN: 1645-1198 – nº6 (2006), p. 23-25.
CERVERA, Pilar – Comer com inteligência. In: Revista Rol de Enfermeria. ISSN: 0210-5020. – Vol. 27, nº2 (2002), p. 6-10.
MARTINS, Alva Seixas; DURÃO, Catarina; PASSADAS, Susana – Dieta Mediterrânica. In: Nutricias. ISSN: 1645-1198 – nº2 (2002), p. 39-44.
NUNES, Nuno – Dieta Mediterrânica. (23.11.2006) <http://www.mni.pt/revista/index.php? file=revista-artigo&cod=40>
PORTUGAL. Ministério da Saúde – Plano nacional de saúde : orientações estratégicas para 2004-2010. Lisboa : Ministério da Saúde, 2004. XIV, 104 p.
RITO, Ana; BREDA, João – Um olhar sobre a estratégia de nutrição, actividade física e obesidade na União Europeia e em Portugal. In: Nutricias. ISSN: 1645-1198 – nº6 (2006), p. 15-17.
**********************************************************************************************************

A Processar...